13 de janeiro de 2006

Horóscopo?

Sempre citam as metáforas escondidas por trás das letras do Chico Buarque. “Maninha”, “Apesar de Você”, “Cálice”, “Acorda, Amor” (essa é um pouco mais direta), “Roda Viva”, para ficar nas clássicas que se referem nas entrelinhas à ditadura brasileira.

Mas li uma teoria que nunca havia percebido. Que “A Rita” também se refere aos militares.

O sujeito que defende essa tese afirma que os versos são claros:

“A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
E o que me é de direito
Arrancou-me do peito
E tem mais”

Ele ainda destaca que essa referência fica mais clara nos últimos versos:

"Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão"

(Deixar mudo o violão: a censura)

Ele também escreve isso aí abaixo, que sequer ouvindo essa música por 20 anos perceberia sozinho:

"’Levou seu re(tr)ato, seu (tr)apo, seu (pr)ato’ que concorda com (tr)ai. O som que emite a metralhadora ‘trrrrrrrr’”.

Bem, na verdade faz todo o sentido e faz sentido nenhum. O que me parece é que as músicas do Chico são como horóscopo de jornal. É possível dar a interpretação que quiser. E todas estarão certas.

4 comentários:

GaBi disse...

oi tequileiro! hah!
O que eu acho mais interessante nessa história é que ele contempla todas essas teorias de longe e se faz anônimo, o que gera ainda mais especulação.
Outro dia eu ouvi uma daz músicas mais lindas dele, "Angélica", feita para a estilista Zuzu Angel. Essa teve dois fatos da vida em duas músicas no Chico. Primeiro a morte trágica do filho torturado sob patrocínio do AI5, "quero cheirar fumaça de óleo diesel" e a própria "Angélica" ("Quem é essa mulher que canta sempre esse estribilho 'só queria embalar meu filho, que mora na escuridão do mar'"), que relata a luta da estilista burguesa que morreu logo depois, sem saber o paradeiro do corpo de seu filho.

Lindo demais, eu digo. E digo mais, este blog me inspira.

Beijos

Bruno H. disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Bruno H. disse...

'Angélica' é a música mais triste do Chico. Bem mais que 'Pedaço de Mim'. A socialite fútil que acorda pro mundo com o desaparecimento do filho e enfrenta o mundo para achá-lo, sem mais medo de nada e que 'canta sempre o mesmo arranjo'. Ah, vai sair filminho sobre a Zuzu este ano!

Beijos!

A. Lisboa disse...

E não são assim todos os textos? Esse é o fascínio das palavras: determinam, mas não determinam.
Pessoalmente, achei genial a interpretação e sim, faz muito sentido mesmo.
Acredito que de qualquer maneira, a música fala sobre abuso, alguém fazendo muito mau uso do poder que lhe foi conferido. Se a natureza desse poder é metafórica no texto, parece mesmo uma discussão sem fim...