10 de julho de 2008

Você sabia?

Dez notas curtinhas sobre samba.
O amor de nove sambas
Noel Rosa compôs nove sambas para Ceci, a dançarina de cabaré que foi o grande amor de sua vida. São eles A Dama do Cabaré, O Maior Castigo que te Dou, Deixa de Ser Convencida, Quantos Beijos, Pela Décima Vez, Quem Ri melhor É quem Ri no Fim, Pela Primeira Vez na Vida, Pra que Mentir?, Ilustre Visita e Último Desejo. As canções, autobiográficas, são todas em primeira pessoa.
O primeiro
A primeira canção de Noel para Ceci foi A Dama do Cabaré. O cabaré citado, no qual Ceci trabalhava, se chamava Apolo.
A briga de nove sambas
A briga entre Noel Rosa e Wilson Batista também rendeu nove músicas. Por Wilson foram compostas Lenço no Pescoço, Mocinho da Vila, Conversa Fiada, Frankstein da Vila e Terra de Cego. Já Noel escreveu Rapaz Folgado, Feitiço da Vila, Palpite Infeliz e João Ninguém.
Os adversários se unem
A única parceria entre ambos é em Deixa de Ser Convencida. Deu-se logo após Wilson ter composto o samba de mau-gosto Frankstein da Vila. Eles se encontraram em um bar da Lapa, brincaram sobre a música e Wilson disse: “Noel, tenho mais uma aqui pra você”, e cantou Terra de Cego. Noel gostou da melodia e sugeriu que se fizesse uma nova letra para ela. Em poucas horas, estava pronta Deixa de Ser Convencida, uma mensagem a Ceci.
Bela resposta
Wilson Batista, em entrevista a uma rádio em 1951, tentou explicar o inexplicável: o porquê de ter escrito Frankstein da Vila. E se saiu bem. “Noel era homem. E não há mal algum em chamar homem de feio”, disse.
Lá na Penha vou levar minha morena pra sambar...
Ao contrário do que se pensa, não foi a Vila Isabel o bairro mais exaltado por Noel. O mais mencionado por ele – em oito canções – é a Penha.
Joãozinho faz samba
João Gilberto, considerado o precursor da Bossa Nova, recusa o título. “Eu faço samba”, afirma.
O presente de Cyro deu resultado
Chico Buarque compôs a música Receita para Virar Casaca de Neném para responder a Cyro Monteiro, que tinha como hábito enviar uma camisa do Flamengo aos filhos recém-nascidos de amigos. Na canção, o tricolor Chico afirma que de nada adiantaria, pois ele mudaria as cores da camisa, inverteria o listrado no peito e “nasceria desse jeito uma outra tricolor”. Mera ilusão. Silvia Buarque (o neném de então) se tornou rubro-negra.
Quanto custa?
Um dos sambas mais famosos da história, A Flor e o Espinho, é assinado por Nelson Cavaquinho, Guilherme de Britto e Alcides Caminha. Este último, na verdade, não fez nada na música. A comprou de Nelson, pratica freqüente do sambista. E o freguês tinha um pseudônimo, Carlos Zéfiro. Com este nome publicava histórias pornográficas ilustradas (conhecidas como catecismos), que se tornaram cults. Algumas de suas ilustrações estão na capa do disco Barulhinho Bom, de Marisa Monte.
Sem mancada não tem samba
O Arnesto, da música O Samba do Arnesto, existiu (aliás, existe, e está com 93 anos). Chama-se Ernesto Paurelli e vive no bairro da Mooca. Porém, quando se tornou amigo de Adoniran Barbosa, morava no Brás. Por gostar da sonoridade de seu nome, o compositor disse que um dia ainda faria um samba para ele. E, alguns anos depois, o “Arnesto” ouviu a canção no rádio. Ficou emocionado. Só uma coisa o incomodava: as piadinhas que ouvia toda hora, pela fama de ser alguém que “dá bolo” (a situação descrita no samba nunca existiu). Comentou o incômodo a Adoniran, que respondeu: “Se não tem mancada não tem samba, Arnesto”.
Pra fazer as pazes
Foi um Rio que Passou na minha Vida, samba de Paulinho da Viola de exaltação à Portela, nasceu por causa da Mangueira. Ao menos indiretamente. É que o compositor tinha sido parceiro de Hermínio Bello de Carvalho em Sei Lá, Mangueira, causando mal-estar na Portela. Para se redimir, então, compôs a música. E tudo ficou em paz.

Um comentário:

Thiago Nunes disse...

pô, não sabia que o bairro mais falado por noel tinha sido a penha!

engraçado, sempre achei que fosse a vila...