Pênalti infantil. Não, não é o momento de agir como criança dentro da área. Foi querer afastar o perigo numa bicicleta espalhafatosa, quase acertou o rosto do adversário e... o juiz está apontado para o cal fatal. Faltam duas rodadas. São 30 da segunda etapa. O Corinthians vai voltar à zona de rebaixamento. Não, não é o momento.
Enquanto o lateral-direito trapalhão está se sentindo culpado, como se pensasse: “Por que escolhi ser jogador de futebol? Não queria ser o culpado pela tristeza de tanta gente”, o zagueiro e capitão é a imagem da desolação. Mãos no rosto, cara de choro. Os jogadores sentem o peso da cobrança enquanto o juiz os retira da área para a cobrança.
Estou sem ar. Vislumbro o sofrimento para as próximas duas rodadas derradeiras. “Estaremos um ponto atrás”, penso. “E agora?”. Não há solução. Não há saída. O futebol me dará essa tristeza. Eu, num canto da sala, espero pela definição do lance. O jogador adversário, famoso por ser bom nas bolas paradas, corre para a cobrança. Meu coração corintiano bate no mesmo compasso da sua corrida.
Bateu! Eu, que há pouco estava olhando para baixo, arregalo os olhos. A bola parte forte. Segue rasteira para o canto esquerdo. A famosa “cobrança indefensável”, como adoram analisar os comentaristas esportivos. Prevejo a rede estufando, o que murcharia 80% das minhas esperanças. Alias, caso estufe, terei que passar a ser bom em matemática. Só com equações complexas poderia encontrar a saída.
Não estufou! O goleiro salta mais do que a matemática poderia supor. Chega no momento exato de, com a ponta das unhas, desviar a bola para a linha de fundo. A torcida explode. O goleiro começa a pular, como se tivera feito um gol. Por um segundo, para mim, o mundo é perfeito.
A equipe continua na berlinda. Caso não seja competente nas próximas rodadas, ainda pode cair. Mas, neste momento, apenas sinto que é muito bom ser corintiano. E agradeço ao Iran – o tal lateral-direito trapalhão – por ter me feito sentir tantas emoções em menos de um minuto. Obrigado.
Enquanto o lateral-direito trapalhão está se sentindo culpado, como se pensasse: “Por que escolhi ser jogador de futebol? Não queria ser o culpado pela tristeza de tanta gente”, o zagueiro e capitão é a imagem da desolação. Mãos no rosto, cara de choro. Os jogadores sentem o peso da cobrança enquanto o juiz os retira da área para a cobrança.
Estou sem ar. Vislumbro o sofrimento para as próximas duas rodadas derradeiras. “Estaremos um ponto atrás”, penso. “E agora?”. Não há solução. Não há saída. O futebol me dará essa tristeza. Eu, num canto da sala, espero pela definição do lance. O jogador adversário, famoso por ser bom nas bolas paradas, corre para a cobrança. Meu coração corintiano bate no mesmo compasso da sua corrida.
Bateu! Eu, que há pouco estava olhando para baixo, arregalo os olhos. A bola parte forte. Segue rasteira para o canto esquerdo. A famosa “cobrança indefensável”, como adoram analisar os comentaristas esportivos. Prevejo a rede estufando, o que murcharia 80% das minhas esperanças. Alias, caso estufe, terei que passar a ser bom em matemática. Só com equações complexas poderia encontrar a saída.
Não estufou! O goleiro salta mais do que a matemática poderia supor. Chega no momento exato de, com a ponta das unhas, desviar a bola para a linha de fundo. A torcida explode. O goleiro começa a pular, como se tivera feito um gol. Por um segundo, para mim, o mundo é perfeito.
A equipe continua na berlinda. Caso não seja competente nas próximas rodadas, ainda pode cair. Mas, neste momento, apenas sinto que é muito bom ser corintiano. E agradeço ao Iran – o tal lateral-direito trapalhão – por ter me feito sentir tantas emoções em menos de um minuto. Obrigado.
O governador do Distrito Federal, Roberto Arruda (DEM), proibiu, na semana passada, o uso do gerúndio entre os funcionários públicos. O decreto afirma: “fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal (...) Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA” (assim mesmo, com direito a “Gerúndio” e “INEFICIÊNCIA” em maiúsculas).
Dois malandros que se acham "muito espertos" -considerando que os "mais inteligentes" mesmo têm advogados para não ficar presos- brigam pelo espaço de um varal no pátio de uma cadeia superlotada de bandidos pobres.
Quando soube, de manhã, quem seria o entrevistado do programa Roda Viva (da Cultura), fiquei empolgado. Era Mano Brown, líder de um grupo que é uma ilha de autenticidade entre o marasmo artístico. Genial, corajoso, diferenciado em diversos aspectos. Tinha certeza de que seria uma noite histórica. Pois bem, assisti ao programa. E me decepcionei. 
Quando aquela voz característica começa a ecoar, é impossível não saber de quem se trata. O canto rascante, rouco e amargurado é o retrato fiel da obra de Nelson Cavaquinho. Dadas a desilusões amorosas e desesperança na vida, suas canções são sem paralelo na história da música popular. De uma simplicidade musical – e de vida – impressionante. Nelson era craque da boêmia. Do desapego material. Do medo e da alegria. Dos sentimentos nobres e baixos. Para ser sincero, é difícil falar sobre o compositor. Possivelmente é o personagem mais complexo da nossa música. Há muito de desconhecido no subterrâneo daquele olhar profundo e carismático.


Pixinguinha ficou impressionado quando ouviu pela primeira vez uma música do Geraldo Pereira. Era Se Você Sair Chorando, apresentada a ele por Roberto Paiva, em 1939. O consagrado compositor, que produziu os arranjos para a canção, se disse entusiasmado com a originalidade da melodia. Mais tarde, seus sambas sincopados (uma característica harmoniosa) também chamou a atenção de outros músicos, como João Gilberto. Mas o que mais salta aos olhos (ou aos ouvidos) são as letras. Ele não era dado a romantismo lírico. Preferia a “forma cronista” de compor. Em sua obra, não há espaço pro amor romântico, pras belezas da natureza ou pro brilho da lua. Ele é objetivo, preciso e mordaz. Vide Bolinha de Papel, Escurinho, Você Está Sumindo, Falsa Baiana. Mas a música do coração é Sem Compromisso. Para mim, o maior samba da história. Une harmonia fantástica, machismo e humor sem cair no escracho. Ah, não, não. Sem Compromisso não é do Chico Buarque. Pode confiar.
Durante este e o próximo mês (veja cartaz inilegível acima), rolará no Espaço Parlapatões, no centro, O Menino que Fugiu da Peça. Oficialmente, é uma peça de teatro voltada ao público infantil. Mas tem um humor irônico (e, às vezes, sarcástico) que agrada todo mundo. É só R$ 10. E, depois, ainda dá pra ir no sambão da Praça Roosevelt, que é do lado.
“Você só dança com ele, diz que é sem compromisso”. Alguns dizem que o samba deste verso acima é do Chico Buarque. Outros, do Noel Rosa. Há ainda os que juram ser do João Gilberto – apesar de o baiano ter feito menos de uma dezena de música na vida. Na verdade, Sem Compromisso é do genial Geraldo Pereira, autor desta e de outras músicas preciosas, como Bolinha de Papel, Cabritada Mal-Sucedida, Na Subida do Morro, Pisei num Despacho, Escurinho e por aí vai.
Há alguns meses se iniciou uma campanha para a escolha das sete novas maravilhas do mundo. Não entendi direito sobre o que se tratava, qual instituição estava organizando a disputa e quais eram os outros concorrentes. Esqueci o assunto. De repente – “e não mais que de repente”, como diria o poeta – houve uma semi-comoção nacional para a escolha do Cristo Redentor. Um daqueles ataques de ufanismo burro e sem propósito tão comum por estas terras. Colocaram a bonita estátua acima do Corcovado, inclusive, a frente de verdadeiras obras para a humanidade, como o Taj Mahal e Macchu Picchu. E, logo depois, começaram os jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. E este é o tema desta postagem.
Toca a cuíca, toca a cuíca: ............. Faz-se silêncio no papel, pois como se reproduzir em tipos o som duma cuíca? Enquanto o cavaquinho, o violão – de seis ou sete cordas -, o tamborim e o tão exaltado pandeiro continuam dançando, a cuíca fica lá, sozinha, chorando na contramão.
